sábado, 22 de janeiro de 2011

Sobre como falamos mal de nós mesmos

- Ei, Sandra, aqui! - Sandra ficou aliviada ao em fim encontrar sua cunhada agitando os braços na rodoviária do Tietê, Marta.

- Oi Marta, você demorou

O comentário pode parecer um pouco mal criado, porém neste momento importa dizer que Sandra veio de uma pequena Cidade no interior do Mato Grosso, e não acostumada com a movimentação tem motivos de sobra para o assombro.

-Pois é menina eu tive que vir de Metrô, o imbecil do mecânico do Sérgio não arrumou o carro, espero que você não se importe de carregar suas malas - disse Marta com um sorriso amarelo no rosto.

- Não tem problema, já estou acostumada a carregar peso mesmo - disse Sandra, que já conhecia o jeito da cunhada.

- Ah! Então vamos logo, que o caminho aqui é longo, e transporte público em São Paulo é um caos, você vai perceber querida, as pessoas são mal educadas, se empurram, não dão lugar pra gente sentar, isso sem contar que sempre tem alguém fedendo suor... - Marta disse tudo com o velho tom de desdem que tinha quando visitava a casa de Sandra, porém Sandra não se sentia diminuída pelo jeito da cunhada, apenas rezava para que um dia esta se esclarecesse.

- Humm, então vamos - Sandra já foi sacando de suas malas e se encaminhando, com dificuldade, a traz da cunhada.

Compraram a passagem para Sandra, marta já possuía uma, e entraram na estação Portuguesa - Tietê do metrô. Lá embarcaram e desembarcaram na estação Sé. Marta saiu do vagão empurrando as pessoas que estavam à sua frente enquanto fritava para Sandra - VEM SANDRA ESSE POVO NÃO VAI SAIR, É TUDO MAL EDUCADO!!!

Sandra calmamente se esquivava dos passageiros, que pareciam acostumados com aquele tipo de situação, em meio a "com licenças" e "me desculpes", conseguiu sair do vagão pouco antes do mesmo fechar as portas e partir.
Na plataforma de embarque as duas conseguiram entrar em um novo trêm, para seguirem em outra direção, Porém só o fizeram porque Marta se esforçou muito empurrando as pessoas para dentro do vagão, Sandra até achou engraçado quando a cunhada, de salto alto, bolsa Prada, empurrava aqueles homenzarrões aos fritos de "VAMO AÊ PÔ, DA PRA JOGAR FUTEBOL AI DENTRO!!"

Após algumas estações Marta conseguiu um lugar para sentar, e as duas continuaram a conversa.

- Então Sandra, como está a vida lá na roça?

- Ah! Marta segue tranqüila, muito trabalho como sempr... Marta deixa a senhora sentar - disse Sandra ao ver uma senhora que parecia cansada do dia de trabalho. Então se espantou quando a cunhada disse

- Eu não, o banco de idoso é aquele azul ali! - disse apontando para dois bancos já ocupados um por um deficiente visual e o outro por uma gravida.
Um senhor que estava sentado próximo às duas cedeu o seu lugar e seguiram viagem.

ao chegar na casa da cunhada encontrou Carlos, Sandra o beijou longamente, Marta os deixou subiram ao quarto e conversaram. quando Carlos perguntou como tinha sido a viagem Sandra respondeu

- Foi muito boa, principalmente a parte com sua irmã...

- Sério amor? As vezes minha irmã me deixa muito triste com certas atitudes.

- A mim também meu bem, mas é com pessoas como sua irmã que eu aprendo como nós gostamos de falar mal de nós mesmo, daí é só um passinho pra melhorar

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E ai Meu velho, vai comentar é?! satisfação ai...